Como Bon o Bon transformou um simples gesto em narrativa afetiva, UGC e experiência integrada (Angola, 2022–2025)

O desafio
Bon o Bon já era uma love brand consolidada em Angola, mas suas ativações em datas-chave como Dia dos Namorados, Natal e campanhas promocionais ainda aconteciam de forma fragmentada, sem coerência narrativa.
O desafio era criar um enredo contínuo capaz de transformar ações promocionais recorrentes em capítulos de uma mesma história afetiva, culturalmente relevante e sustentável ao longo dos anos.
A estratégia
Em vez de importar datas, mecânicas e discursos prontos, a estratégia foi ancorar as campanhas em códigos culturais locais e no comportamento real das pessoas.
No caso do Dia dos Namorados, por exemplo, o Valentine’s Day foi reinterpretado a partir do alambamento, cerimónia tradicional angolana de apresentação da noiva e acordo entre famílias, socialmente mais relevante do que o próprio casamento.
Bon o Bon passou a ocupar esse espaço simbólico como mediador do afeto. Em um contexto onde abraços e beijos em público são socialmente reprimidos, oferecer um bombom torna-se um gesto legítimo de carinho.
As campanhas foram estruturadas como concursos culturais, e não disputas de popularidade, priorizando criatividade, emoção e participação genuína. Com o amadurecimento da narrativa, a estratégia evoluiu para um ecossistema integrado, incorporando criadores de conteúdo locais não como peças publicitárias isoladas, mas como extensões naturais da história que a marca já construía com o público.
O investimento em mídia paga foi pensado para amplificar histórias reais, não para substituir a força da narrativa orgânica.
Ao longo do tempo, Natal, Meu Pedido Bon o Bon e o Mês da Doçura deixaram de ser ações isoladas e passaram a funcionar como variações de um mesmo tema: datas afetivas como motor de storytelling e engajamento.


A execução
As ativações foram conduzidas majoritariamente no ambiente digital, com forte estímulo à criação de UGC, mas sempre em diálogo com a campanha 360º no mundo físico (rádio, TV, OOH e ponto de venda).

Alguns princípios de execução:
- Prémios financeiros apresentados de forma clara, aumentando a percepção de valor.
- Múltiplos vencedores por campanha, reduzindo a sensação de “concurso impossível”.
- Ajustes operacionais para contornar limites das plataformas, como a solicitação de marcação do perfil da Angoalissar e envio do link da participação por mensagem, evitando perdas causadas por hashtags ocultadas pelos algoritmos.
Além da gestão estratégica do digital, assinei a direção criativa das campanhas, incluindo o design das peças sazonais, a coordenação de anúncios online e a produção de ensaios fotográficos e vídeos com casais reais, incluindo registros audiovisuais do próprio alambamento.
As ações online culminavam em experiências presenciais, cerimónias de entrega e ativações offline que reforçavam, no mundo físico, a narrativa construída nas redes.
Mais do que publicar conteúdos, o trabalho envolveu orquestrar experiências, conectando redes sociais, cultura local e presença física da marca.

O resultado
Ao longo de diferentes datas-chave e formatos de execução, o conceito de associar Bon o Bon a gestos reais de afeto mostrou-se consistente e adaptável, mesmo com variações de orçamento e mudanças nas plataformas.
Nas campanhas de Dia dos Namorados, o formato combinou alcance amplo com participação espontânea, chegando a milhões de visualizações logo no primeiro ano e mantendo, em execuções orgânicas, centenas de milhares de visualizações e dezenas de milhares de interações mesmo sem investimento em mídia paga.
O modelo de concurso cultural gerou centenas de conteúdos enviados ao longo dos anos. A estratégia foi replicada com sucesso em outras datas emocionais, como o Mês da Doçura e o Natal.
Em 2024 e 2025, a integração com criadores de conteúdo ampliou o impacto da narrativa, somando mais de 2 milhões de visualizações adicionais em conteúdos de influenciadores, sem descaracterizar o tom afetivo da campanha.
Mais do que números isolados, o case demonstra a capacidade de sustentar relevância emocional ao longo do tempo, gerar UGC autêntico de forma recorrente e transformar participantes em embaixadores espontâneos da marca.
Na prática, Bon o Bon consolidou-se como um dos exemplos mais claros de love brand com os quais já trabalhei, onde o engajamento não precisava ser forçado, apenas bem direcionado.

O que aprendi
- Pessoas associam afeto ao chocolate de forma quase automática, mas só criam quando se sentem culturalmente representadas.
- UGC floresce quando o produto é amado e o contexto envolve pessoas amadas.
- Em Angola, prémios expressos em valor monetário são mais persuasivos do que objetos genéricos.
- Quanto maior o número de vencedores, maior a sensação de possibilidade e participação.
- Concursos de popularidade invariavelmente descambam para compra de likes falsos, mesmo com prémios modestos.

- Em mercados com restrições sociais à demonstração pública de afeto, o simbolismo certo vale mais do que qualquer call to action agressivo.
- O digital funciona melhor quando não tenta substituir o mundo físico, mas dialogar com ele.
Como explico esse case num bar
Costumo dizer que Bon o Bon encontrou um jeito muito angolano de falar de amor. Não criamos o sentimento, mas ajudamos a dar forma a ele. Quando o afeto não pode ser exibido em gestos, ele aparece em símbolos. E dividir um bombom acabou se tornando uma dessas pequenas formas públicas de intimidade.

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