Quando um chocolate vira linguagem de afeto

Como Bon o Bon transformou um simples gesto em narrativa afetiva, UGC e experiência integrada (Angola, 2022–2025)
Vencedores do Natal Bon o Bon 2024. Histórias reais que transformaram a campanha em um momento de celebração para famílias inteiras, indo além da lógica promocional.

O desafio

Bon o Bon já era uma love brand consolidada em Angola, mas suas ativações em datas-chave como Dia dos Namorados, Natal e campanhas promocionais ainda aconteciam de forma fragmentada, sem coerência narrativa.

O desafio era criar um enredo contínuo capaz de transformar ações promocionais recorrentes em capítulos de uma mesma história afetiva, culturalmente relevante e sustentável ao longo dos anos.

“Fala Com Bon o Bon”, filme publicitário de 30 segundos para a TV, premiado no FestiPUB 2023, é uma celebração vibrante da angolanidade que posiciona Bon o Bon como um gesto afetivo.

A estratégia

Em vez de importar datas, mecânicas e discursos prontos, a estratégia foi ancorar as campanhas em códigos culturais locais e no comportamento real das pessoas.

No caso do Dia dos Namorados, por exemplo, o Valentine’s Day foi reinterpretado a partir do alambamento, cerimónia tradicional angolana de apresentação da noiva e acordo entre famílias, socialmente mais relevante do que o próprio casamento.

Bon o Bon passou a ocupar esse espaço simbólico como mediador do afeto. Em um contexto onde abraços e beijos em público são socialmente reprimidos, oferecer um bombom torna-se um gesto legítimo de carinho.

Conteúdo criado pelo influenciador Leonel Martins para a campanha Meu Pedido Bon o Bon.

As campanhas foram estruturadas como concursos culturais, e não disputas de popularidade, priorizando criatividade, emoção e participação genuína. Com o amadurecimento da narrativa, a estratégia evoluiu para um ecossistema integrado, incorporando criadores de conteúdo locais não como peças publicitárias isoladas, mas como extensões naturais da história que a marca já construía com o público.

O investimento em mídia paga foi pensado para amplificar histórias reais, não para substituir a força da narrativa orgânica.

Ao longo do tempo, Natal, Meu Pedido Bon o Bon e o Mês da Doçura deixaram de ser ações isoladas e passaram a funcionar como variações de um mesmo tema: datas afetivas como motor de storytelling e engajamento.

Conteúdo produzido a partir de ensaio fotográfico com casal de modelos para a campanha Meu Pedido Bon o Bon 2024, traduzindo afeto em linguagem visual simples e reconhecível.

A execução

As ativações foram conduzidas majoritariamente no ambiente digital, com forte estímulo à criação de UGC, mas sempre em diálogo com a campanha 360º no mundo físico (rádio, TV, OOH e ponto de venda).

Peça de social media desenvolvida para a campanha Natal Bon o Bon 2024, integrando identidade visual sazonal e narrativa emocional construída ao longo do ano.

Alguns princípios de execução:

  • Prémios financeiros apresentados de forma clara, aumentando a percepção de valor.

  • Múltiplos vencedores por campanha, reduzindo a sensação de “concurso impossível”.

  • Ajustes operacionais para contornar limites das plataformas, como a solicitação de marcação do perfil da Angoalissar e envio do link da participação por mensagem, evitando perdas causadas por hashtags ocultadas pelos algoritmos.

Registro do alambamento patrocinado por Bon o Bon com o casal vencedor do passatempo Meu Pedido Bon o Bon 2025, conectando a narrativa digital à vivência cultural no mundo físico.

Além da gestão estratégica do digital, assinei a direção criativa das campanhas, incluindo o design das peças sazonais, a coordenação de anúncios online e a produção de ensaios fotográficos e vídeos com casais reais, incluindo registros audiovisuais do próprio alambamento.

As ações online culminavam em experiências presenciais, cerimónias de entrega e ativações offline que reforçavam, no mundo físico, a narrativa construída nas redes.

Mais do que publicar conteúdos, o trabalho envolveu orquestrar experiências, conectando redes sociais, cultura local e presença física da marca.

Cerimónia de entrega de prémios aos vencedores do passatempo Mês da Doçura 2025. Momentos presenciais que reforçaram o vínculo emocional construído nas campanhas digitais.

O resultado

Ao longo de diferentes datas-chave e formatos de execução, o conceito de associar Bon o Bon a gestos reais de afeto mostrou-se consistente e adaptável, mesmo com variações de orçamento e mudanças nas plataformas.

Nas campanhas de Dia dos Namorados, o formato combinou alcance amplo com participação espontânea, chegando a milhões de visualizações logo no primeiro ano e mantendo, em execuções orgânicas, centenas de milhares de visualizações e dezenas de milhares de interações mesmo sem investimento em mídia paga.

O modelo de concurso cultural gerou centenas de conteúdos enviados ao longo dos anos. A estratégia foi replicada com sucesso em outras datas emocionais, como o Mês da Doçura e o Natal.

Conteúdo criado pela influenciadora Sara Cuca para a campanha Meu Pedido Bon o Bon.

Em 2024 e 2025, a integração com criadores de conteúdo ampliou o impacto da narrativa, somando mais de 2 milhões de visualizações adicionais em conteúdos de influenciadores, sem descaracterizar o tom afetivo da campanha.

Mais do que números isolados, o case demonstra a capacidade de sustentar relevância emocional ao longo do tempo, gerar UGC autêntico de forma recorrente e transformar participantes em embaixadores espontâneos da marca.

Na prática, Bon o Bon consolidou-se como um dos exemplos mais claros de love brand com os quais já trabalhei, onde o engajamento não precisava ser forçado, apenas bem direcionado.

Uma das fotos vencedoras do passatempo Natal Bon o Bon 2025, exemplo da qualidade e envolvimento emocional do conteúdo gerado espontaneamente pelo público.

O que aprendi

  • Pessoas associam afeto ao chocolate de forma quase automática, mas só criam quando se sentem culturalmente representadas.

  • UGC floresce quando o produto é amado e o contexto envolve pessoas amadas.

  • Em Angola, prémios expressos em valor monetário são mais persuasivos do que objetos genéricos.

  • Quanto maior o número de vencedores, maior a sensação de possibilidade e participação.

  • Concursos de popularidade invariavelmente descambam para compra de likes falsos, mesmo com prémios modestos.

Conteúdos produzidos a partir de ensaio fotográfico com casal de modelos vestidos com as cores da marca para a campanha Meu Pedido Bon o Bon 2023.

  • Em mercados com restrições sociais à demonstração pública de afeto, o simbolismo certo vale mais do que qualquer call to action agressivo.

  • O digital funciona melhor quando não tenta substituir o mundo físico, mas dialogar com ele.

Vídeo case da campanha 360 de Bon o Bon para o Dia dos Namorados 2025, integrando a campanha digital Meu Pedido Bon o Bon a ativações culturais e experiências offline.

Como explico esse case num bar

Costumo dizer que Bon o Bon encontrou um jeito muito angolano de falar de amor. Não criamos o sentimento, mas ajudamos a dar forma a ele. Quando o afeto não pode ser exibido em gestos, ele aparece em símbolos. E dividir um bombom acabou se tornando uma dessas pequenas formas públicas de intimidade.

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